**Th.132 A necessidade de superar tanto as impurezas afetivas quanto as cognitivas** *O sofrimento e o ciclo de renascimentos são sustentados por formas não saudáveis de dois aspectos da mente: o ‘afetivo’, relacionado às emoções, e o ‘cognitivo’, relacionado à forma como se vê e compreende as coisas. Estes estão inter-relacionados, pois a turbulência emocional dificulta ver as coisas com clareza, e a confusão e a percepção equivocada e iludida alimentam a turbulência emocional. A emoção não saudável fundamental é o desejo sedento, que pode ser vista como abrangendo o apego e o ódio: o desejo sedento de obter e o desejo sedento de se livrar. A falha cognitiva fundamental é a ignorância espiritual ou ilusão. A passagem a seguir deixa claro que tanto as impurezas afetivas quanto as cognitivas devem ser superadas, respectivamente, pela calma meditativa (samatha) e pelo discernimento (vipassanā). Trabalhando em conjunto, estas proporcionam um estado no qual o conhecimento direto pode surgir em uma mente calma, clara e pacífica. Pode-se desenvolver a calma profunda e depois o discernimento, o discernimento e depois a calma profunda, alterná-los, ou apenas desenvolver o discernimento com calma suficiente para atenuar qualquer agitação que disso advenha (ver a introdução de Th.138).* Monges, estas duas coisas pertencem ao conhecimento superior. Quais são as duas? A calma e o discernimento. Quando a calma é desenvolvida, que benefício se obtém? A mentecoração é desenvolvida. Quando a mente é desenvolvida, que benefício se obtém? Aquilo que é apego é abandonado. Quando o discernimento é desenvolvido, que benefício se obtém? A sabedoria é desenvolvida. Quando a sabedoria é desenvolvida, que benefício se obtém? Aquilo que é ignorância é abandonado. Uma mente contaminada pelo apego não é libertada, e a sabedoria contaminada pela ignorância não é desenvolvida. Assim, monges, através do desvanecimento do apego, há a libertação da mente, e a partir do desvanecimento da ignorância, há a libertação pela sabedoria. *Bāla-vagga*, sutta 10, *Aṅguttara-nikāya* I.61, trad. P.H. **Th.133 A absorção meditativa e a sabedoria são mutuamente dependentes** Nesta passagem, a absorção meditativa que surge da dedicada meditação samatha é vista como mutuamente dependente da sabedoria, que tipicamente se desenvolve a partir da meditação vipassanā. Não há absorção meditativa para quem não possui sabedoria, nem sabedoria para quem não possui absorção meditativa. Aquele que possui tanto absorção meditativa quanto sabedoria está, de fato, próximo do nirvana. *Dhammapada* 372, trad. P.H.