*Enquanto que a ação ética restringe a expressão externa das impurezas, a meditação enfraquece, e junto com a sabedoria finalmente vence, os impulsos mentais enraizados no desejo sedento e na ignorância espiritual que levam a tais ações, bem como aos futuros renascimentos, com todos os seus sofrimentos. A relação entre a meditação e o caminho como um todo pode ser vista nas passagens Th.97--101.* **Th.121 A natureza da mente** *Estes versos enfatizam a natureza inconstante da mente, sua necessidade de treinamento e como isso pode trazer a felicidade. Aqui, Māra, ou “O Mortal”, é uma deidade temperamental que é vista como a corporificação tanto da morte quando do desejo sensorial, que leva ao renascimento e à re-morte. Māra é igualmente um termo para as impurezas. O “reino de Māra” é também qualquer coisa sujeita à impermanência e, portanto, à morte.* Assim como um fazedor de flechas endireita a haste de uma flecha, também uma pessoa sábia endireita a mente: tão inconstante, oscilante, tão difícil de proteja, e tão difícil de restringir. Como um peixe nascido na água pula e estremece quando colocado sobre a terra, também esta mente se agita. Portanto, deve-se abandonar o reino de Māra. Domar a mente que é difícil de controlar, que rapidamente se altera, e que se envolve com qualquer coisa que goste, é louvável. Uma mente domada traz felicidade. Que a pessoa sábia proteja a mente, tão difícil de discernir, extremamente sutil, que se envolve com qualquer coisa que goste. Uma mente protegida traz felicidade. Aqueles que restringem a mente que para longe viaja, que vaga sozinha, que é desprovida de um corpo e jaz dentro da caverna (do coração), se libertam das amarras de Māra. A sabedoria nunca chega à realização naquele cuja mente não é firme, que não conhece o Bom Dhamma e cuja fé balança. Não há medo para quem está acordado, cuja mente não se inclina para as falhas e que é sem agitação, e que seguiu para além das ações kâmmicamente benéficas e kâmmicamente prejudiciais. Compreendendo que este corpo é tão frágil quanto um pote de argila, e fortalecendo esta mente como uma cidadela, ele deveria combater Māra com a arma da sabedoria. Ele deveria proteger o que foi conquistado e permanecer desapegado. Não em muito tempo, com certeza, este corpo irá jazer na terra, jogado, desprovido de consciência como um tronco inútil de madeira. Qualquer dano que um inimigo possa fazer a um inimigo, ou alguém que odeia possa fazer a outro que também odeia, uma mente mal-dirigida pode infringir um dano maior sobre uma pessoa. Nem mãe, nem pai, nem qualquer outro parente pode fazer tanto bem quanto uma mente bem dirigida. *Citta-vagga: Dhammapada* 33--43, trad. P.D.P. **Th.122 A necessidade de treinar a mente** Esta passagem enfatiza quão danosa a mente pode ser quando tendências prejudiciais nela presentes são deixadas sem qualquer restrição, ao mesmo tempo que pode ser muito benéfica quando é cultivada por meio do treinamento meditativo. Monges, nada observo que possa ser tão imensamente condutor ao dano quanto uma mente não desenvolvida, não cultivada. Uma mente não desenvolvida, não cultivada, é imensamente condutora ao dano. Monges, nada observo que possa ser tão imensamente condutor ao benefício quanto uma mente desenvolvida, cultivada. Uma mente desenvolvida, cultivada, é imensamente condutora ao benefício. ... Monges, nada observo que possa ser tão imensamente condutor ao dano quanto uma mente não controlada, não protegida, não restringida, não domada, ... Monges, nada observo que possa ser tão imensamente condutor ao benefício quanto uma mente controlada, protegida, restringida, domada, ... *Akammanīya-vagga, suttas 9--10 e Adanta-vagga, suttas 9--10: Aṅguttara-nikāya* I.6--7, trad. P.D.P.