A natureza geral do Dhamma

“Dhamma” (pāli, skt: Dharma) é uma palavra com muitas camadas de significados. Como o segundo dos três focos da devoção buddhista (os “Três Refúgios”: veja *Th.93), onde é utilizado no singular, Dhamma significa ensinamentos do Buddha; as realidades e princípios que esses apontam como uma espécie de “Padrão Básico” para as coisas; o caminho para a libertação em relação ao sofrimento, que é o foco principal dos ensinamentos, e que está de acordo com a natureza da realidade; e o ponto culminante final do caminho, o nirvāna.

Dhamma pode igualmente significar algo como “virtude”, “justiça”, “a forma correta e apropriada”, como quando se diz de um rei que rege de acordo com o Dhamma, i.e. com retidão, com ética. Como um termo usado no plural, dhamma/dharma pode significar: qualquer qualidade mental, estado ou coisa – seu uso mais abrangente; um objeto real ou imaginário, do sentido mental; um princípio, verdade ou padrão de realidade (e.g. as quatro Verdades dos Nobres ( ver *L.27 e próximo ao fim de *Th. 138).

 

Th.12 Qualidades do Dhamma

O primeiro parágrafo desta passagem é parte de um texto que é frequentemente cantado em pāli em ambientes devocionais, bem como refletido em meditações devocionais.

“Mestre Gotama, … De que maneira é o Dhamma diretamente visível (como verdade e realidade), não atrasado (em seus resultados), convidativo à investigação, aplicável e conduzindo adiante, para ser entendido individualmente pelos sábios?”

“Brāhmaṇa, alguém animado pelo apego, vencido pelo apego… deseja de uma maneira que conduz à aflição de si mesmo, dos outros e de ambos, e ele experiencia dor mental e infelicidade. Mas quando o apego é abandonado, e ele não deseja de uma maneira que conduz à aflição de si mesmo, dos outros e de ambos, ele não experiencia dor mental e infelicidade. É dessa forma que o Dhamma é diretamente visível [O mesmo é então repetido se referindo a ser atingido ou livre de ódio ou da ilusão. O próximo, exceto um sutta, em seguida, diz a mesma coisa, exceto que substituindo “Dhamma” por “nirvāna”].

Aññatara Brāhmaṇa and Nibbāna Suttas: Anguttara-nikāya I.156­157, trad. P.H.

 

Th.13 Dhamma como profundo

Nesta passagem, o Buddha reflete sobre o Dhamma profundo que ele experimentou em seu despertar. Então, ele o explica em duas partes: o processo de originação dependente (ver passagens *Th.156–168), ou seja, uma sequência de condições que levam ao renascimento e à continuação do que é doloroso, e o nirvāna como a cessação de todas essas condições. Ao contrário do nirvāna, a condicionalidade não é algo em que se tome refúgio, mas compreendê-la é parte do Dhamma como caminho.

Este Dhamma que alcancei é profundo, difícil de ver e difícil de entender, pacífico, sublime, inatingível por mero raciocínio, sutil, para ser experimentado pelos sábios. Mas este povo se deleita no apego (especialmente para o que é familiar), desfruta do apego e se regozija com o apego. É difícil para um tal povo ver este estado, ou seja, a condicionalidade específica, o surgir dependente. E é difícil ver neste estado, ou seja, o acalmar de todas as construções volitivas, o abdicar de todas as aquisições, a destruição do desejo, o não-apego, a cessação, o nirvāna.

Ariya-pariyesanā Sutta: Majjhima-nikāya I.167, trad. P.H.