Responsabilidade individual e esforço pessoal

Th.79 Os Buddhas mostram o caminho; a pessoa deve segui-lo por si mesma

Por si mesmo o mal é feito; por si mesmo alguém se mancha. Por si mesmo o mal é deixado de ser feito; por si mesmo alguém se torna puro. Pureza e impureza dependem de si mesmo; ninguém pode purificar o outro.

Você deve fazer o esforço por si mesmo; os Tathāgatas são somente  professores. Os meditantes que seguem o caminho são libertos dos grilhões da morte.

Dhammapada 165 e 276; trad. P.D.P.

 

Th.80 O poder da conscientização diligente

Diligência é o caminho para a não-morte; negligência é o caminho para a morte.

Os diligentes não morrem; os negligentes já vivem como se estivessem mortos.

Por meio do esforço e da diligência, moderação e autocontrole, o sábio faz (de si) uma ilha que a enchente não atinge.

Dhammapada 21 e 25, trad. P.H.

 

Th. 81 Aprimore a si mesmo gradualmente

Irrigadores guiam a água; flecheiros ajustam as hastes das flechas; carpinteiros moldam a madeira; os sábios controlam a si mesmos.

Embora se possa conquistar em batalha, mil vezes a mil homens, o melhor é ser vitorioso contra apenas um: a si mesmo.

Gradualmente, pouco a pouco, momento a momento, uma pessoa sábia deveria remover suas próprias impurezas, assim como um ferreiro remove as impurezas da prata.

Dhammapada 80, 103 e 239, trad. P. H

 

Th.82 Não esbanje sua vida, desperdiçando oportunidades para o desenvolvimento espiritual

Melhor do que viver uma centena de anos, com uma conduta má e sem a tranquilidade meditativa, é viver por um dia com ética disciplinada e meditativamente. …

A pessoa com pouco conhecimento envelhece como um boi de arado: os músculos crescem, mas não a sabedoria. …

Aqueles que na juventude nem se dirigiram para a vida santa nem adquiriram riqueza: eles se consumem como velhas garças numa lagoa sem peixes.

Dhammapada 110, 152 e 155, trad. P.H.

 

Th.83 O esforço correto direciona a mente e leva ao fim dos estados de dolorosos

Esta passagem enfatiza que o esforço correto é necessário para o caminho espiritual, embora note que L.32 aconselha que tal esforço não deve ser muito intenso, nem muito relaxado.

Monges, em três circunstâncias deve-se apresentar o esforço. Quais são essas três? Para que não surjam os estados prejudiciais da mente que ainda não surgiram, para que surjam os estados saudáveis da mente que ainda não surgiram e para suportar as duradouras sensações corporais que sejam agudas, ásperas e que minam a vida. Monges, diante destas três circunstâncias deve-se fazer esforço.

Monges, quando um monge pratica… [dessa forma], é dito que ele vigilante e habilmente se esforçou para o legítimo fim do que é doloroso.

Ātappa-karaṇīya Sutta: Aṅguttara-nikāya I.153, trad. P.D.P.

 

Th.84 Uma base para iniciativa e determinação

Esta passagem mostra que embora os ensinamentos do Buddha não aceitem a ideia de um eu permanente e essencial, as noções de iniciativa e esforço individual, assim como suas bases psicológicas, são devidamente reconhecidas.

Então um certo brāhmana aproximou-se do Bem-Aventurado, trocaram saudações amistosas, sentou-se em um lado e disse: “Bom Gotama, eu sou desta opinião e disse: ‘Não há auto-determinação, não há determinação vinda de outros’”. “Brāhmana, eu nunca vi ou ouvi tal opinião: Como poderia alguém se aproximar e retornar dizendo: ‘Não há auto-determinação, não há determinação vinda de outros’? “Brāhmana, há um elemento de iniciativa?” “Sim, bom senhor”. “Brāhmana, quando há um elemento de iniciativa, há um ser vivo tomando a iniciativa: isto é auto-determinação e isto é determinação vinda de outros. Brāhmana, quando há um elemento de seguir adiante… quando há um elemento de poder … quando há um elemento de força … firmeza … quando há um elemento de esforço, há um ser que põe adiante o esforço. Isto é auto-determinação e isto é determinação vinda de outros.

Attakārī Sutta: Aṅguttara-nikāya III.337–338, trad. P.D.P.