M.46 O poder da fé e do louvor

Com profunda fé nos Buddhas e em seu Dharma, com fé também no caminho trilhado pelos filhos do Buddha, e no perfeito e insuperável despertar, bodhisattvas estabelecem suas mentes na direção do despertar.

A fé é o primeiro passo no caminho, a mãe de todas as virtudes. Ela nutre todas as raízes saudáveis e as ajuda a crescer. Ela rasga a rede da dúvida, e resgata os seres vivos do rio do desejo sedento. Ela revela o caminho insuperável para o nirvāna.

A fé purifica a mente, que fica clara e imaculada; ela elimina a arrogância e encoraja o respeito. Esse é o tesouro mais importante da riqueza do Dharma, a mão pura que recebe toda a boa conduta [346].

A fé leva alguém a dar sem hesitar. A fé conduz ao experimento de uma grande alegria com os ensinamentos do Buddha. A fé leva ao crescimento da sabedoria e a conquista da virtude. A fé conduz ao reino do Tathāgata.

A fé torna os sentidos puros e luminosos. A fé faz brotar uma força firme e inatacável. A fé extermina as impurezas. A fé guia diretamente às virtudes de um Buddha.

Com fé ninguém é restringido por qualquer objeto de percepção. Ele é desprendido de todas as privações, livre de dificuldades. A fé guia para além dos caminhos de Māra. A fé mostra o caminho para a libertação insuperável.

A fé é a fresca semente da virtude. A fé germina na árvore do despertar. A fé se desenvolve no conhecimento supremo. A fé revela todos os Buddhas.

Avataṃsaka Sūtra, Taishō vol.10, texto 279, pgs.72b16–29, trad. T.T.S. e D.S.

Tal como uma centelha de fogo do tamanho de uma semente de mostarda pode fazer arder um monte de feno do tamanho do Monte Meru,

Uma pequena virtude obtida pela adoração aos Buddhas remove as impurezas, e conduz ao nirvāna.

Avataṃsaka Sūtra, Taishō vol.10, texto 279, pg. 278a12–13, trad. T.T.S. e D.S.

O Venerável Subhūti perguntou ao Buddha: “Como os bodhisattvas, grandes seres, louvam e servem a todos os Buddhas, os Bem-Aventurados, a fim de desenvolverem plenamente suas raízes saudáveis, de se beneficiarem de verdadeiros amigos espirituais e para atingirem rapidamente a onisciência?”

O Buddha disse ao Venerável Subhūti: “Um bodhisattva, um grande ser, a partir do momento em que primeiro estabelece sua mente no despertar, louva e serve ao Buddha, o Bem-Aventurado. Ele ouve os ensinamentos do Buddha em pessoa, tudo desde os sūtras aos textos explicativos. Ele carrega o que ouviu em sua mente, o relê repetidamente e o revê uma e outra vez, de modo que ele se torna familiarizado com aquilo. Quando ele está familiarizado com aquilo, ele reflete sobre seu significado. Quando ele consegue discernir o significado profundo contido dentro desses textos, ele domina o dhāraṇīs [347]. A libertação desimpedida que garante a realização do despertar perfeito insuperável, então, surge. Depois disso, onde quer que ele renasça, nunca esquecerá o que ouviu, e nunca perderá os ensinamentos do verdadeiro Dharma. Suas raízes saudáveis são plantadas com os vários Buddhas. Por causa do poder dessas raízes saudáveis, ele nunca renascerá em estados desafortunados. Mais uma vez, por causa dessas raízes saudáveis, sua mente se tornará feliz e pura. Por causa do poder dessa mente pura e feliz, seu progresso na direção do despertar será irreversível, e ele ansiará os reinos puros dos gloriosos Buddhas. Mais uma vez, por causa dessas raízes saudáveis, ele nunca será separado dos verdadeiros amigos espirituais, de todos os Tathāgatas, de todos os bodhisattvas, dos Buddhas solitários, discípulos e todos os outros que exaltam o Buddha, o Dharma e a Sangha”.

Mahā-prajñāpāramitā Sūtra, Taishō vol.7, texto 220, pgs.700c9–23, trad. T.T.S. e D.S.

M.47 Os grandes benefícios de estar em contato com um Buddha

Esta passagem enaltece a raridade e o grande privilégio de entrar em contato com um Buddha e seus ensinamentos.

Como é dito no Nobre Gaṇḍavyūha (Sūtra): …

Os Tathāgatas surgem para o bem de todos os seres – heróis grandemente compassivos que giram a roda do Dharma.

Como podem todos os seres retribuir aos Buddhas, que têm se esforçado para o bem-estar dos seres vivos por incontáveis centenas de éons?

É melhor torrar nos três estados terríveis do infortúnio por incontáveis éons do que não ver o professor que funda todas as Sanghas. …

Quando alguém vê o Buddha, o melhor dos homens, todas as transgressões são destruídas. Aquele que alcança o despertar aumenta seu karma benéfico infinitamente. …

É assim que o karma benéfico de alguém aumenta quando encontra o Buddha. Os frutos de simplesmente ver uma imagem do Tathāgata são imensuráveis, então, quão grandes serão os frutos de ver o seu próprio corpo?

Śikṣā-samuccaya de Śāntideva, cap.17, trad. do sânscrito por D.S.

 

M.48 Fé construída na fé passada

O Venerável Subhūti perguntou ao Bem-Aventurado: “Bem-Aventurado, nos tempos vindouros, no futuro, em tempos futuros, em um momento no futuro, no período de quinhentos anos quando o verdadeiro Dharma for destruído [348], haverá alguns seres vivos que perceberão a verdade das palavras deste sūtra quando ouvi-las?”

“Subhūti, nos tempos vindouros, no futuro … haverá grandes seres com muitas qualidades, morais e sábios, que perceberão a verdade das palavras deste sūtra quando ouvi-las. Esses bodhisattvas, Subhūti, tais grandes seres, não têm louvado apenas um Buddha. Eles não firmaram raízes saudáveis com apenas um Buddha. Esses bodhisattvas, Subhūti, tais grandes seres, louvaram muitas centenas de milhares de Buddhas, e firmaram raízes saudáveis com muitas centenas de milhares de Buddhas. Eles atingirão clareza unidirecional da mente quando ouvirem as palavras desta sūtra.

O Tathāgata conhece esses bodhisattvas, Subhūti, com seu conhecimento de Buddha. O Tathāgata vê esses bodhisattvas, Subhūti, com o olho do Buddha. O Tathāgata, Subhūti, está desperto em relação a esses bodhisattvas.

Vajracchedikā Prajñāpāramitā Sūtra, seção 6, trad. do sânscrito por D.S.

Notas:

[346] A fé pode receber os frutos da boa conduta da mesma maneira como uma mão pode receber um tesouro.

[347] Fórmulas ou incantações poderosas, similares a mantras.

[348] Acredita-se tradicionalmente que o Dharma passaria por cinco estágios de declínio, cada um durando quinhentos anos. O período que Subhūti está se referindo aqui é o último.