A necessidade de companheiros virtuosos e sábios como amigos espirituais

Th.85 Cultive amigos bons, espirituais

É fácil ver os defeitos dos outros, mas difícil ver os próprios defeitos. Como ao joio, uma pessoa separa as falhas dos outros, mas oculta as próprias, como um jogador astuto escondendo uma mão ruim. …

Se você encontra uma pessoa sábia que, vendo os seus defeitos, lhe diz o que é censurável, você deve se associar a ela como se ela fosse uma reveladora de tesouros. Associar-se a tal pessoa o levará sempre para melhor, não para pior. …

Não se associe com maus amigos; não se associe com pessoas más. Associe-se com os amigos que são bons; associe-se com as melhores das pessoas.

Dhammapada 252, 76 e 78, trad. P. H.

 

Th.86 Virtuosos e sábios amigos espirituais como guias e companheiros no caminho

Estas passagens enfatizam que a vida monástica e, por implicação o pleno caminho espiritual, depende inteiramente em ter companheiros de apoio e conselheiros amigáveis ou professores: kalyāṇa-mittas, ‘bons amigos’, no sentido de amigos espirituais virtuosos e sábios, com o Buddha como o maior destes.

Grande rei, certa vez eu vivia no povoado chamado Nāgaraka dos sakyas. Então, o monge Ānanda se aproximou de mim, fez a reverência, sentou-se ao lado e disse: ‘Venerável senhor, metade desta vida santa é amizade, associação e companheirismo com o bom. Grande rei, quando isso foi dito, eu disse ao monge Ānanda: ‘Ānanda, não diga isso! Esta vida santa não consiste de metade, mas completamente de amizade, associação e companheirismo com o bom. Ānanda, é a partir de um monge que tem um virtuoso e sábio amigo, associado e companheiro que se pode esperar que ele desenvolva o nobre caminho óctuplo e intensamente o cultive. …

Ānanda, ao virem até mim como seu amigo espiritual, os seres que têm o nascimento como a sua natureza, são libertos do nascimento, os seres que têm a cessação como a sua natureza, são libertos da cessação, os seres que têm a morte como a sua natureza, são libertos da morte, os seres que têm a aflição, lamento, dor, tristeza e angústia como a sua natureza são libertos destas’.

Kalyāṇa-mitta Sutta: Saṃyutta-nikāya I.87–88 <197–199>, trad. P.D.P.

 

Então, o que é a  amizade espiritual ? Associar-se a, seguir, e estar com tais pessoas que têm fé e disciplina ética, e que são instruídas, generosas e sábias; recorrer a e estar ligado a elas, ser devotado a elas, entusiasmado por elas e ser próximo a elas.

Dhammasaṅgaṇi, seção 1328, trad. P.H

 

Monges, alguém deve se associar a um amigo que tenha sete qualidades; alguém deve recorrer a ele e assisti-lo mesmo que ele o dispense. Quais sete? Ele é amável e agradável; respeitado; estimado; um conselheiro habilidoso; um ouvinte paciente; profere discursos profundos; e não intima alguém a fazer o que é inapropriado.

Aṅguttara-nikāya IV.32. trad. P.H.

 

Th.87 A influência penetrante da boa pessoa

O perfume das flores não se espalha contra o vento, nem o perfume do sândalo, tagara e jasmim; mas a fragrância da boa pessoa se espalha contra o vento; a boa pessoa alcança todas as direções.

Dhammapada 54, trad. P. H.

 

Th.88 Os benefícios de se encontrar um bom e sábio professor

Esta passagem diz respeito a quem tenha alcançado as qualidades de professor e encontre, nele ou nela, a ausência de inclinação para a ganância, ódio e ilusão.

Percebendo que está limpo da propensão para a ganância, ódio e ilusão, ele deposita fé nele (no professor). Com a fé nascida, ele se aproxima; aproximando-se, senta-se junto; sentando-se junto, ele ouve com atenção; com o ouvido atento, ele escuta o ensinamento; tendo escutado, ele recorda o ensinamento; ele examina meticulosamente o significado dos ensinamentos recordados. Quando ele examina o significado, ele ganha uma aceitação reflexiva dos ensinamentos; quando ganha uma aceitação reflexiva dos ensinamentos, o desejo nasce; quando o desejo nasce, ele realiza um esforço; tendo realizado um esforço, ele o pondera; tendo-o ponderado, ele se exerce; quando se exerce, ele realiza a mais alta verdade em sua própria pessoa, e a vê, tendo-a penetrado com sabedoria.

Caṅkī Sutta: Majjhima-nikāya II.174, trad. P.D.P e P.H.